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Espiritualidade Integral Evolucionaria, Comunidade e Sustentabilidade
Reflexões em 2018 depois do Fogo de outubro de 2017

Olhando para trás através das fotos

Quinta da Mizarela antes do Fogo- Primavera 2017

Quinta da Mizarela depois do Fogo- 17 de Outubro 2018

Quinta da Mizarela antes do Fogo- Primavera 2017

Quinta da Mizarela um ano depois- Outubro de 2018

Aqui está a nossa história...

Por esta altura o ano passado, o Pete e eu descíamos o nosso trilho pela primeira vez depois dos fogos devastadores de 15 e 16 de Outubro. Esta foi a fotografia que foi usada para a nossa campanha de crowdfunding. Eu nem sequer sabia que tinha sido tirada, e no entanto nunca esquecerei aquela descida. Tanto estava preto e queimado, nós estávamos em choque e devastados e demorou um ano a ultrapassar o trauma de tudo isso. E é apenas agora, à medida que escrevo este artigo para vocês, que um maior  entendimento deste ano continua a emergir.

Então eu escrevo-vos agora para fechar um capítulo. Tem sido um ano muito forte para tantos de nós. Aprendemos muito, fomos desafiados de maneiras que são irreversíveis. O fogo ensinou-nos sobre impermanência e insegurança e também nos ensinou a compreender mais profundamente aquilo que é eterno e onde não é necessário nenhum sentido de segurança. Aprendemos sobre trauma e aprendemos sobre Amor. Estamos mais suaves e mais resilientes ao reconhecer a fragilidade da vida e honrar as relações que temos uns com os outros e o nosso compromisso com a liberdade.

Então aqui está o resumo do ano…

Durante as primeiras semanas depois do fogo estávamos focados em ter os sistemas de abastecimento de eletricidade e água a funcionar. Uma vez conseguido tivemos tempo para nos acomodarmos ao inverno e lidar com o trauma de toda a situação. Fizemo-lo de diferentes formas e todos fomos desafiados, pois encontramo-nos em território incerto individual e coletivamente.

As chuvas começaram no final de Dezembro e nessa altura tivemos que lidar com cheias e terras movediças.

 

 

A chuva continuou até Junho, e até tivemos uma cheia súbita em Julho. Apesar de toda a chuva, todo o nosso abastecimento de água esteve constantemente ameaçado já que a corrente estava a encher as condutas com lodo que escoava livremente da ladeira descoberta, bloqueando a bomba.Eu senti que a Natureza ia continuar a manifestar-se da sua forma connosco, e tudo o que podíamos fazer era fazer o melhor que podíamos. Às vezes surgia muito medo perante a insignificância que sentíamos face ao poder da Natureza e éramos forçados a render-nos, já que não havia literalmente nada que pudéssemos fazer. Assim que ficou claro que as casas e anexos não estavam em perigo pudemos relaxar um pouco e tudo o que pudemos fazer foi esperar para ver o que acontecia em seguida.

 

 

Durante meses o Pete e eu não sabíamos se iríamos ter eventos em 2018 ou não. Não sabíamos que iriamos ter pessoas aqui, e a maioria da nossa equipa de 2017 quis regressar e dedicar-se ao processo de recuperação e também oferecer-se para serviço para que o ALP pudesse continuar a funcionar. Nós não sabíamos como seria 2018, mas sabíamos que seria diferente. De certa forma o Pete e eu estávamos em piloto automático, mas não era bem um piloto. Uma vez que o tapete tinha sido tirado de baixo dos nossos pés, um novo nível de rendição estava a ser pedido. Tivemos que tomar decisões sem saber se essas decisões se iriam alguma vez manifestar. Foi uma época muito estranha para nós e tenho a certeza para a equipa que regressou, já que se comprometeram com algo que não esteve sempre bem definido. 

Então o Pete e eu decidimos marcar apenas os eventos que faríamos normalmente cada ano e depois decidiríamos mais tarde se realmente os iríamos fazer. No final fizemo-los a todos, e ao mesmo tempo sessões semanais de perguntas e respostas, dias semanais de silêncio, e grupos de mulheres e homens ALP recorrentes. Os eventos anuais foram: dois retiros de meditação de fim-de-semana (Maio e Setembro), retiro de homens do ALP (Junho), retiro de mulheres do ALP (Julho), Intensivo Transformativo de 6 semanas (Ago/Set) e retiro de 10 dias de Agosto. Para nosso espanto, estes eventos ultrapassaram de longe os de 2017 em profundidade e comprometimento. Todos menos um ficaram lotados com participantes incríveis que se deram completamente ao que nós tínhamos para oferecer e uma equipa preparou o caminho maravilhosamente para os que vieram. As meditações diárias continuaram e as pessoas que aqui estiveram entregaram-se totalmente à meditação.
 

Resumo do retiro de 10 dias de Agosto 2018

Women singing to the land during the July Women's retreat

Intensive Graduates of 2018

A terra estava diferente tal como nós estávamos diferentes. O tempo esteve frio e chuvoso até Junho. Junho foi tão frio como Novembro costuma ser.  Na parte de cima, ervas e fetos regressaram para cobrir a terra negra, flores selvagens floresceram como nunca antes, esvoaçavam mais borboletas do que alguma vez tivemos e os pássaros cantavam. Tudo isto acontecia num vale rodeado por centenas de árvores mortas. Às vezes víamos fotografias de como era antes e era difícil lembrar as colinas verde luxuriante. Acho que todos passamos por um período de comparação, e depois muitos de nós parámos de comparar e foi aí que conseguimos ver a beleza de todo o quadro, e pudemos apreciar as diferentes manifestações de vida, sentir o amor pela terra e sentir a sua dor como nossa. Todos parecíamos estar a sarar juntos. Nós conscientemente falávamos da paisagem ardida em cada evento e este reconhecimento levou-nos a todos de forma muito bonita para dentro de nós próprios, já que não estávamos a evitar a situação óbvia nem a nossa própria experiência dessa situação.

Este ano trouxe uma apreciação por toda a gente e tudo o que está a acontecer neste momento, e por tudo e toda a gente que veio antes. Por muitos anos nós temos tido pessoas incríveis que vêm e dão tanto para a criação do Awakened Life Project. Muitos vieram como voluntários ao longo dos anos e deixaram a sua marca de uma forma maior ou mais pequena. Há alguns voluntários que não quiseram ir embora e ficaram durante anos criando este espaço físico e o recipiente espiritual que recebe cada pessoa que aqui chega. Eles podem já não viver aqui na Quinta da Mizarela mas continuam a dar apoio com os seus corações e as suas mãos. Depois há a família alargada ALP que passa menos tempo aqui mas continua a fortalecer os valores do ALP através das suas vidas e das suas relações e esteve presente quando precisámos deles, depois do fogo.

E mais recentemente tivemos um grupo incrível de jovens que estiveram aqui em 2017 que se conectaram juntos como uma unidade de uma forma que não tinha acontecido antes. Nenhum deles estava aqui no dia do fogo e nenhum hesitou em regressar, alguns depois de dias outros nos meses seguintes. Todos se comprometeram a regressar para a temporada de 2018 o que foi um milagre e um apoio enorme para o Pete e eu.

Batu, Marco, Katrin

Tantas pessoas nos ajudaram e nós não estaríamos onde estamos agora sem a sua ajuda, mas também queremos reconhecer este grupo de 5 pessoas que foram a espinha dorsal aqui na Quinta no último ano. O que eles fizeram fisicamente foi surpreendente, mas para nós a forma como eles se deram de todo o coração durante tempos muito desafiantes inspirou-nos, e através da sua maturidade e cuidado eles deram ao Pete e a mim o espaço para o nosso próprio processo de cura que foi tão necessário para continuar este projeto.

Então obrigada Batu, Bernard, Sonja, Katrin e Marco. O Batu e o Marco passaram semanas e semanas cobertos em cinza, depois do fogo e à medida que limpavam a terra, puseram a água a funcionar e tanto mais. Eles nunca pararam.

Sonia

O Bernard, a Sonja e a Katrin tinham saído antes do fogo começar mas todos regressaram depois do Ano Novo para dar tudo o que tinham. Eles não foram apenas indivíduos a ajudar, o amor deles pela terra, pelo que o ALP é, por nós e uns pelos outros trouxe este projeto para outro nível.

Bernard

Todos caminhamos nos ombros dos que vieram antes de nós e isto é verdade para toda a gente. O ALP não poderia ser o que é e o que será sem aqueles que aqui passaram, os que aqui estão e os que ainda virão. Uma coisa de que me apercebi depois do fogo foi que o ALP não é algo que eu/nós estamos a construir e que durará depois de eu e Pete não estarmos mais; está vivo e a respirar em cada momento que alguém se dá a ele. Quando as pessoas pararem de dar, aí não há ALP. Não há nada para nos agarrarmos, não há nada permanente neste mundo, há apenas amor, devoção e ação em cada momento. Isto traz uma libertadora responsabilidade em estar inteiramente aqui agora e fazer tudo o que podemos para ser quem nós já somos.

Ainda há trauma para lidarmos, muitas árvores para serem cortadas, mais coisas para reparar e arranjar, mas algo mudou em nós como indivíduos e como projeto. Nós não somos as mesmas pessoas e nós não somos o mesmo projeto. Algo novo está a emergir das cinzas e é mais desconhecido e sólido do que alguma vez foi.

Obrigada a todos de vós que nos deram o apoio financeiro que precisámos para reconstruir, reparar e rejuvenescer. Vocês deram-nos meios financeiros para que pudéssemos respirar um pouco mais facilmente enquanto passamos por este processo e deram-nos tanto amor que nos confortou quando os tempos foram duros.

Eu nuca tinha passado por nada assim, e olhando para trás agora posso apenas dizer que estou grata por cada minuto. É apenas agora, enquanto escrevo isto, que eu tenho um pouco mais de distanciamento para ver a perfeição em tudo o que aconteceu. Não de uma forma “para me fazer sentir melhor”, mas no reconhecimento que a dor, medo e insegurança são realmente os propulsores que podem abrir a porta para o Amor, Alegria e Felicidade sempre presentes.

Em termos práticos, aqui fica algo do que temos estado a fazer este último ano...

Limpamos depois do fogo- tubos queimados, plástico, metal, madeira, restos da caravana e muito mais.

Limpamos lama à volta do yurt, das trincheiras onde vão todos os tubos, que se encheram quando a água desceu pelas montanhas

Cortar árvores queimadas, ramos queimados, palha e silvas- este trabalho está longe de ter terminado!

Roçamos, roçar e mais roçar! Para os Americanos, roçar é bater nas ervas daninhas!

Queimar tudo aquilo que cortámos!

Plantar árvores de fruto, pequenos carvalhos, sobreiros e flores.

Fizemos uma nova casa de banho seca chamada Os Jardins Suspensos da Popilónia.

Construir novos degraus em todo o lado

Construir novas estruturas para o telhado da entrada da Sala de meditação, finalizado com algumas instalações artísticas feitas com ramos queimados.

Reparámos a parede de pedra de uma das ruinas, que ameaçava cair no terraço.

Reparámos o sistema solar e acrescentámos 6 novos painéis no telhado do escritório.

Substituímos fios que conectavam os painéis solares às baterias.

Reparámos o sistema solar de água quente.

Substituímos o tanque de 1000 litros que ardeu sobre a casa grande.

Retornamos água ao duche do yurt, substituindo o barril e os tubos.

Reparámos o duche do yurt onde parte das paredes tinham ardido.

Substituímos o sistema de águas sujas.

Encomendámos canos, conectores e compreendemos todas as partes necessárias!

Transportámos e depois colocamos centenas de metros de canos para o sistema de água e o sistema hídrico

Limpámos o riacho de todos os destroços que tinham sido arrastados para baixo.

Alisámos o chão onde os javalis selvagens tinham procurado comida (muito do seu habitat foi queimado)

Reconstruímos as linhas de lavagem.

Reparamos as camas elevadas e fizemos novas.

Limpámos os fungos e a lama do yurt (por dentro e por fora)

É na verdade muito curador fazer esta lista, uma vez que às vezes parece que há tanto ainda para fazer que me esqueço de reconhecer o que já foi feito!

 

As coisas que ainda precisam de ser feitas:

Istalar o portão da comporta que ficou danificado na inundação repentina- acontecerá em poucos dias!

Instalar a turbina hidráulica- acontecerá em poucas semanas

Limpar mais da terra

Cortar mais árvores.

Reparar paredes danificadas pelas cheias.

Refazer o chão da yurt onde ficou deformado pela lama

Plantar mais árvores de fruto, castanheiros e carvalhos

Plantar flores em toda a parte.

Rejuvenescer as abelhas- algumas colmeias estão fracas, e outras foram perdidas

Compreender  o sistema de irrigação- nós ainda não fizemos nada em relação a este

Por o revestimento do tanque lá dentro, para que o tanque possa reter água novamente!

E coisas das quais não me consigo lembrar...

Então esta foi a nossa história por agora! Este será o fim desta campanha. O ano de luto terminou e é tempo de avançar. Durante todo este ano o fogo foi o ponto de referência e agora é tempo de reconhecer que a  temporada de 2018 que acaba de passar foi a temporada de todas as temporadas até agora e aguardamos com expectativa o que virá depois. 

Obrigada a todos!

Muito Amor da Cynthia, Pete e toda a Comunidade do Awakened Life Project - Projecto Vida Desperta

Cynthia

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Sobre o projecto

O Projeto Vida Desperta está situado em uma reserva ecológica bela e selvagem nas montanhas Central Portugal. Oferecemos programas de voluntariado, cursos, eventos e retiros para apoiar a libertação do espírito humano em um contexto de emergência evolutiva e comunhão com a rede ecológica da vida.

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3305-031 Benfeita
Portugal

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