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Espiritualidade Integral Evolucionaria, Comunidade e Sustentabilidade
Meu Diário do Retiro

Dia Zero

A calma é grande e quase parece banal o início de um retiro de meditação e silêncio de 7 dias. Cá dentro sinto uma vontade séria de mergulho no estar e na meditação. Pretendo de forma sincera aprofundar a minha vivência e experiência do Ser. Para os próximos 7 dias quero estar Presente e deixar tudo ser através de mim e estar atenta também ao ouvir, numa escuta sem esforço.

Dia Um

Hoje é dia de serviço. Divirto-me para mim, sem sobressaltos e em modo de fruição. Tive muito sono durante a meditação matinal e sinto-me adoentada mas relaxo e continuo a deixar-me ir. Sinto que quero sair do caminho daquilo que quer ser.

O final do dia traz-me cansaço e as duas questões principais que o Pete coloca: Quem sou Eu? O que estou a fazer aqui? E até não se resolver a primeira, a segunda espera. Sinto uma leveza interior que são força, coragem e intemporalidade.

Dia Dois

Acordo às 5h30 para meditar, estou muito desperta. A meditação sabe-me bem apesar da mente caótica. Lembro-me que não é preciso escolher entre estar consciente da minha Liberdade ou identificar-me com a mente porque a Liberdade nunca desaparece. O um e a sua sabedoria, eu e todos, o que nos alimenta está sempre lá, imutável, efervescente, jovem.

Dia Três

Adoro meditar, mergulhar e abrir, estar em todo o lado, permitir-me a ser surpreendida. Uma das minhas intenções para este retiro é “Descobrir o coração”, experimentar ser guiada por ele, habituar-me a ouvi-lo e conhecer a sua língua e voz. É certo que já o experimentei mas agora reconheço-lhe mais a inteligência e liberdade.

Percebo melhor quando estou a ser mental e me ponho a procurar, prós e contras sob várias perspectivas, opiniões e estereótipos ou se recorro a ideias preconcebidas e conhecimento antigo antes de agir.

Por exemplo com a comida. Que comida? Que quantidade e a que horas? Já li livros, ouvi opiniões, segui dietas, o que é bastante válido e serviu-me para mudar hábitos, mas nesta altura o corpo já me sabe pedir se eu o ouvir.

E agora este rapaz que se senta a meu lado a escrever furiosamente? Sobre o que escreve ele? O que o inquieta e inspira? O que procura ver melhor? Que formas ele traz para a diversidade da vida? Que histórias e questões? Amo-o. Sabes que te amo? Amo as tuas inquietações e impulsos literários quando procuras uma resposta, quando vês além e se te abre um sorriso pelo corpo todo. Amo-te quando te sentes a desesperar e te escondes. Quando julgas que te escondes. Não te consegues tornar invisível a mim e eu não deixo de te amar menos.

O que é que eu faço com todo este amor no peito?

Respiro-o.

É ele que eu respiro. Desfruta só. Não me peço nada. Sinto vontade de olhar-me ao espelho e ver-me na vida pelos olhos. Até lá, reconheço-me na escrita, nas mãos, nas palavras e no querer mais, ver mais e trazer mais a nós através de cada um. Estou à espera e entretanto já me sinto em todos e em tudo.

Na volta do período de serviço percebo que o processo de meditação continua. Não me identifico com o conteúdo da minha mente, com as coisas que a habitam, sem dar respostas, ouço-a. Estar em acção neste sentido não é diferente de meditação.

Deixo-me responder. Na verdade parece que medito na acção.

Do dia hoje fica-me uma frase que me falaram através de outro: leva-te mais a sério. A Ti.

Dia Quatro

“Quando deixas de querer que a tua experiência aconteça de uma certa forma…”

“A meditação simplesmente já é, assim como o Amor, assim que o aceitares reconheces a verdade.”

E o que vem depois?

Não importa o conteúdo da minha mente, não pretendo purifica-la. Sou de natureza muito mais ampla e os pensamentos e emoções que me atravessam não são produzidos por uma Sara. Não consigo ver agora toda a extensão e origem das várias formas da mente e não importa. Importa sim a relação que estabeleço com elas. Sei-a pelo que é, pelo que produz e como nos relacionámos. Mas tudo pode mudar, tudo muda no agora. E já não faz sentido haver uma escolha, as escolhas, o esforço, o ter e não ter atenção, o conhecimento e processos não deixam de ser racionais e de ter uma origem na repetição de um saber racional. É como estar a surfar no limiar do desconhecido e não mergulhar nele. O espaço está no sair de todos os processos. O espaço está na não-acção racional. Porque o espaço nunca deixa de ser e está além de qualquer sensação ou sentimento que provenha de um Eu confinado à cabeça. Procuro uma sensação física do Eu que transcenda o corpo. Quando ando, falo, faço, olho, penso são quase todas acções que sinto e vivo na cabeça. Até o tocar e olhar são imediatamente acompanhados por uma leitura racional. Como neste momento que tento desvendar isto usando a mente mas que me pode ser útil para experimentar o que está para além dela. Que pontes inter dimensionais são estas? Desligo-me da mente mas ela é também uma ferramenta e uma ponte. Não que a experiência precise dela mas utilizo a mente para traduzir para uma linguagem humana o divino.

Qual o significado de tudo isto? O que é que em mim procura significado? Porque surge esta leve ansiedade? É uma vontade de saber. Talvez surjam respostas na contemplação, pelo menos para chegar a uma explicação satisfatória. Não preciso de gostar da explicação para ser satisfatória.

Durante a noite olho a lua e pergunto-me o que é que todos acham de tão fascinante no luar. Surge-me a pergunta “Porque é que haveria a mulher de olhar a lua se não fosse por estar apaixonada?” Sim, apaixonada pela Vida.

Dia Cinco

Primeiro da do novo ano. Ontem queimei a vontade de mudar a relação que tenho com o conteúdo da minha mente, o que é o mesmo que querer ser livre. Se me pergunto o que quero genuinamente para o novo ano? É viver esta liberdade.

Dia Seis

Vejo pessoas a sorrir em todo o lado.

E eu também cá dentro, apesar do cansaço e de andar a dançar com os pensamentos. Basta um olhar rápido para o pôr-do-sol para perceber que nada disso importa. Porque eu não sou aquilo que percebo e vejo claramente o hábito da mente em ter um problema para resolver ou ultrapassar. Vejo como constrói um tetris de pedaços de ideias que se combinam para criarem paredes que são as limitações auto-impostas. É difícil para o “eu-que-se-separa” aceitar que está tudo bem e que há que saber desfrutá-lo e deixar a sabedoria correr através de mim.

Dia Sete

Hoje vivi a magia do “deixar tudo ser”. Deixei-me guiar pelo coração. Iniciei a meditação à 1:00 e terminei às 8:00 para começar o dia de trabalho. Foi uma noite inspiradora fora da minha mente e de dentro do corpo para fora. Sinto que a minha confiança e clareza saiem mais fortes depois desta entrega. Sinto-me mais próxima do Eu porque por uma noite habitei o Coração.

Sara Silva, Porto

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O Projeto Vida Desperta está situado em uma reserva ecológica bela e selvagem nas montanhas Central Portugal. Oferecemos programas de voluntariado, cursos, eventos e retiros para apoiar a libertação do espírito humano em um contexto de emergência evolutiva e comunhão com a rede ecológica da vida.

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