O Sítio
Ao subir as escadas de pedra ao lado de um desfiladeiro dramático de quedas d’água chamado Fraga da Pena, na reserva ecológica da Serra do Açor, no centro de Portugal, entramos, eventualmente, num isolado vale. Ai deparamo-nos com as ruínas da Quinta da Mizarela, outrora uma pequena aldeia rural agora renascendo como a Associaçâo Projecto Vida Desperta ou The Awakened Life Project.
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O Contexto
Cada vez mais pessoas se tornam conscientes de que estamos a viver um período de grande turbulência e transição a todos os níveis. Com as convergentes crises de destruição ecológica, pico do petróleo, esgotamento do solo e da água, o colapso económico e a descrença nos paradigmas tradicionais, as estruturas antigas estão-se a desmoronar em todas as dimensões da nossa existência.
Muitas pessoas estão a acordar para o facto de não haver nenhum Deus externo (separado de nós mesmos) ou governo “lá fora” que venha para nos salvar. Tornamo-nos também cientes que nenhuma tradição espiritual ou instituição baseadas no passado apresentam uma estrutura capaz de encarar os desafios multi-dimensionais do nosso tempo. Por quê? Porque, como Einstein disse, “Nenhum problema pode ser resolvido a partir do mesmo nível de consciência que o criou”. Vivemos no ponto alto de uma época com grandes perigos mas também com um grande potencial, ficando nas nossas mãos o nosso próprio destino evolutivo.
E então, o que devemos fazer? Será que vamos desmoronar ou avançar? Estamos prontos para assumir a responsabilidade para com a vida e evoluir juntos para criar uma nova realidade? Será que estamos a enfrentar o inevitável fim de tudo? Ou será que estamos a vivenciar um novo conjunto de condições de vida globais que, dolorosas e caóticas como elas são, vão desencadear um futuro mais são e mais iluminado?
O Despertar da Consciência
Énossa convicção que os seres humanos têm um potencial ilimitado para a bondade, a consciência e a evolução co-criativa. O único limite é o condicionamento enraizado, pessoal e cultural, dos nossos egos individuais e colectivos. Por “ego” não se entenda a ideia de individualidade, mas sim o nosso apego à poderosa ilusão de ter uma existência independente. A consciência egoica, apesar de ter tido um papel a desempenhar no desenvolvimento da nossa individualização, actualmente tem a grande maioria da raça humana em seu poder, a diferentes níveis, e é a principal causa dos nossos crescentes problemas globais. Por quê? Porque o ego só se consegue ver a si próprio e existir separado do outro e de toda a vida, incluindo o organismo vivo que é a Mãe Terra e é, portanto, o alicerce fundamental do auto-interesse. Esta muito convincente ilusão de separação é construída com base em impulsos primitivos de sobrevivência do nosso passado evolutivo que se manifestam como o medo, desconfiança, competição, narcisismo, etc.. O que estamos realmente a enfrentar é uma crise de consciência (da qual, por exemplo, a crise ecológica é um sintoma) e despertar significa transcender os desejos e medos do nosso ego individual/colectivo e procurar alcançar o próximo nível no nosso desenrolar evolutivo individual/colectivo. É mesmo uma aventura!
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Actualmente muitas pessoas estão a acordar para a importância de encontrar soluções para os sintomas externos da consciência egoica, portanto, mais pessoas estão a tornar-se “verdes”, aprocurar estilos de vida sustentáveis, várias formas de activismo, etc.. Alguns também estão a despertar para a profundidade espiritual de quem são, procurando mestres espirituais, praticando meditação e outras práticas. Para generalizar, o foco dos activistas são as questões externas, o problema “aí fora”, mas muitas vezes falta-lhe profundidade e compreensão sobre as causas no domínio da consciência, enquanto que as pessoas que procuram uma via espiritual tendem a focar-seno seu interior, procurando libertar-se do problema “aqui dentro”, mas muitas vezes acabam por retirar-se da vida em vez de se entregarem a ela de forma mais plena e responsável.
Contudo, para que um despertar verdadeiramente integral e transformativo aconteça, que poderá ter um verdeiro impacto positivo nesta Vida e nesta Terra, precisamos de abraçar a totalidade de ambas as dimensões internas e externas, individual e colectiva do nosso ser. Precisamos de despertar para a nossa verdadeira natureza como sendo a totalidade do processo da vida.
E o que significa isto? Significa descobrir quem somos no sentido mais profundo, enquanto Unidade com o todo da Vida e, em seguida, mais importante ainda, assumir responsabilidade pela verdade da absoluta inter-relação. Isto não tem nada a ver com crenças religiosas, ou conceitos, dogmas ou bagagem cultural de qualquer espécie, mas sim, com vermos para além de e libertarmo-nos do nosso sentido do eu mais pequeno e descobrirmos uma paz profunda, uma confiança inabalável na Vida e uma nova e vasta liberdade de ser.
E nesta liberdade, se a nossa motivação não é “ter” apenas para nós mesmos, vamos encontrarmo-nos compelidos por uma enorme sensação de paixão positiva e propósito que nos impelem para a tarefa de co-criar um futuro melhor. Percebemos que o Céu pode na realidade descer à Terra, e está nas nossas mãos fazer isso acontecer.
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Comunidade e Comunhão
O Projecto Despertar a Vida é um lugar para idealistas apaixonados, investigadores, e aventureiros. É um lugar para aqueles que desejam largar o pretexto habitual, a manipulação e desconfiança que divide e afasta os seres humanos a partir de si próprios e uns aos outros. É um lugar para aqueles que querem experimentar a comunhão verdadeira e o relacionamento autentico, honesto, com confiança, baseado num interesse comum na Verdade e na Evolução.
É nossa convicção de que a autêntica viagem espiritual não é uma questão pessoal ou privada, mas é, sobretudo nos tempos em que vivemos, uma revelação universal que procura impulsionar e criativamente cooperar com o coração aberto dos outros. Em última análise, vida espiritual é sobre sermos totalmente nós mesmos e sobre a dádiva, e nessa dádiva nós e o nosso planeta recebe os frutos da libertação e do cuidado, de nos e dos outros. E isso significa estar disposto a abraçar o desafio da transformação e não se contentar com “auto-aceitação” e mediocridade. Se a nossa visão entrar em ressonância com a citação famosa de Gandhi: “Seja a mudança que deseja ver no mundo”, então isso significa que nós queremos aspirar a ser responsáveis por tudo o que fazemos e tudo o que importa.
Despertar é, na sua essência, um processo natural e orgânico, mas isso não quer dizer que aconteça por si só, e nem sempre é fácil.
Para todas as nossas boas intenções e ideais elevadas, é no relacionamento humano que descobrimos a verdadeira medida da nossa vontade para confiar, para cuidar e, sobretudo, para mudar. O que significa estar mais interessado no que é verdadeiro do que em como nos sentimos no dia a dia? É possível conviver num contexto de absoluta confiança, honestidade e amor em que todas as dificuldades são enfrentadas e resolvidas com maturidade? Consegue imaginar viver num contexto em que os outros só estão interessados em apoiar a criação do seu próprio potencial mais elevado? Consegue imaginar a descoberta conjunta de um sentido de propósito compartilhado que em muito transcende a dimensão pessoal da sua vida e, portanto, unifica tudo num só Todo?
Sabemos, por experiência própria, que esses potenciais estão disponíveis a qualquer pessoa com um interesse sincero em verdadeiramente se unir para além das zonas de conforto, do medo e das ideias fixas, ou dito de outra forma, para além dos hábitos e defesas do ego. Esta não é uma questão de “se livrar de qualquer coisa”, é simplesmente uma questão de estar disposto a ver e transcender aquilo que nos é revelado, num contexto evolutivo, como sendo condicionamento obsoleto. A consciência esta apta a fundir-se connosco para que possamos ser seres totalmente livres.
Centro de Portugal e os Portugueses
Sentimo-nos muito abençoados por ter tropeçado nesta área do Centro de Portugal, não só porque a paisagem e muito bonita, mas também o são as pessoas locais! Temos muito boas relações com o povo da bonita aldeia da Benfeita, Pardieiros e Sardal, e a valorização que eles nos dão por estarmos a revitalizar o que foi outrora uma pequena aldeia, onde muitos dos seus antepassados viveram e trabalharam, é algo que nos faz sentir muito felizes.
Esperamos ter muitos Portugueses a visitar e a se voluntariar no projecto enquanto este se desenvolve, e por isso estamos muito compremetido em aprender e melhorar o nosso Português!

Actualidade e possível futuro
Os actuais moradores são: Pete e Cynthia, os fundadores, um outro casal, Adam e Mim, que depois de se oferecerem como voluntários por um período de três meses em 2009, decidiram empenhar-se e juntar-se co-criadores, assim como Laura e Glen que se juntou em 2010 e Marko e Sara em 2011. Actualmente, temos espaço para acomodar um ou dois voluntários no nosso bonito Yurt, e podemos acomodar mais pessoas em tendas nos meses mais quentes. Estamos especialmente interessados em voluntários que sintam uma ressonância com a nossa visão global e filosofia, podendo permanecer por pelo menos um mês.
Desconhecemos o possível futuro para a o projecto Despertar a Vida que se mantém em aberto. Prevemos um potencial de ter 8 ou 10 pessoas que aqui vivam permanentemente ou semi-permanentemente como um núcleo. A nossa visão é que esse núcleo de pessoas comprometidas possa criar um campo de consciência, inspiração, amor e cuidado no qual os voluntários, visitantes e participantes de cursos futuros possam integrar-se e experiênciar enquanto cá estiverem. Esperamos que aqueles que venham nos visitar possam ter experiências fortes que lhes permitam mudar as suas perspectivas e valores de vida contribuindo de forma positiva nas suas vidas quando de cá saírem.
Se cá vierem as pessoas certas, e após um período de “testes”, se comprometerem a co-criar esta aventura connosco, como um núcleo, então poderemos crescer e ser capazes de desenvolver este projecto de melhor forma e mais rapidamente. Caso isto aconteça iremos desenvolver um quadro prático para orientar esta integração e co-criação.
Se a nossa visão entrar em ressonância consigo e gostar da ideia de ficar aqui como um foco mais empenhado do que simplesmente de ser voluntariado, faz favor consulte os nossos.
Nesta altura há grupos conectado com o nosso visão no Porto e em Lisboa que estão a desenvolver. Para mais informaçôes contactar: pete.bampton@gmail.com